Medicalização na Educação, e a UEPG?

Publicado em 03 de Setembro de 2018

O discurso da conexão entre problemas neurológicos e o não aprender ou não se comportar de forma considerada adequada pela escola apresenta-se de forma cada vez mais frequente no cotidiano das universidades e dos serviços públicos e particulares de saúde para os quais se encaminham grandes contingentes de alunos com queixas. Nessa perspectiva se considera que jovens e adultos apresentam dificuldades de aprendizagem por causa de disfunções ou transtornos neurológicos (congênitas ou provocadas por lesões ou agentes químicos), as quais interferem em campos considerados pré-requisitos para a aprendizagem, tais como: percepção e processamento de informações; utilização de estratégias cognitivas; habilidade motora; atenção; linguagem; raciocínio matemático; habilidades sociais etc.

A constatação e análise crítica do aumento crescente do processo de medicalização da educação, bem como a identificação de suas manifestações contemporâneas são fundamentais, porém ainda insuficientes. É preciso ir além e compreender a que demandas sociais ela vem atender, desvelando tanto o processo de produção dos fenômenos do não aprender e não se comportar, quanto os fatores que determinam sua identificação por profissionais da saúde e da educação como sintomas de doenças e transtornos. A medicalização constitui-se em um desdobramento inevitável do processo de patologização dos problemas educacionais que tem servido como justificativa para a manutenção da exclusão de grandes contingentes de pessoas pobres que, embora permaneçam nas escolas por longos períodos de tempo, nunca chegam a se apropriar de fato dos conteúdos cognitivos. (Repositório UNESP)

Este texto descreve qual o objetivo do III Forum Multiprofissional SEBISA, o qual visa realizar uma análise da "Medicalização na Educação" dentro dos Cursos de Graduação do Setor de Ciências Biológicas e da Saúde da UEPG.