Apresentação

APRESENTAÇÃO

 

 

O CIEL 2019 quer se colocar como um evento a ser construído com bases epistêmicas descoloniais e desobedientes, a fim de que possamos ter elementos para questionar práticas e parâmetros cristalizados. O evento propõe discutir alternativas, caminhos que não corroborem o epistemicídio e nem silenciem vozes subalternas. Desse modo, não será só um evento de pensamento descolonial, mas que buscará fazer-se descolonial em sua estrutura, na escolha de palestrantes, em sua organização etc. Pretende não exaltar, não folclorizar, mas trazer, em primeira pessoa, para falar em nome próprio, aquelas e aqueles que têm produzido conhecimento descolonial, mesmo que não sejam reconhecidos academicamente (em sentido estrito) como tal.

Conforme Mignolo (2007, p. 304), queremos compartilhar o pensamento descolonial que “vive nas mentes e corpos de indígenas bem como nas de afrodescendentes”, aquele que vive nas “memórias gravadas em seus corpos por gerações e a marginalização sócio-política a qual foram sujeitos por instituições imperiais diretas, bem como por instituições republicanas”. Assim, pretendemos que o evento tenha como tema a descolonialidade e a desobediência nos estudos da linguagem; e a partir dos debates sobre linguagem, pretendemos criar movimentos de dúvida, questionamentos, de desaprendizagem e reaprendizagem, os quais tenham como horizonte uma opção descolonial e de desobediência em contraponto a uma hegemonia epistêmica.

A finalidade do CIEL é de que os estudiosos e estudiosas da linguagem – da linguística, da linguística aplicada, da literatura – e os pesquisadores e pesquisadoras das demais disciplinas das Ciências Humanas, bem como de Artes, Comunicação, Música dentre outras que com estas estabeleçam diálogos, venham refletir sobre os estudos da Linguagem, da Identidade e da Subjetividade numa perspectiva epistemológica descolonial. Buscamos discutir lugares de enunciação que estejam “na contramão dos paradigmas eurocêntricos hegemônicos”. Estes lugares, além de geopolíticos, são também aqueles marcados por hierarquias raciais, sociais, de gênero, de sexualidade etc. “assumiram-se como universais, desinteressado e não situados” (COSTA, GROSFOGUEL, 2016 p. 19).

Nesse sentido, o CIEL 2019 acolherá trabalhos científicos que discutam linguagens/textos em relação com as bases epistemológicas e as perspectivas teóricas explicitadas. Pretende-se, ainda, promover reflexões sobre a importância de aspectos da linguagem para as noções de subjetividade e de construções identitárias, num contexto de sub/desvalorização do conhecimento marginal e fronteiriço. Considerando os desafios a serem enfrentados neste momento político que se reflete no contexto acadêmico, pretendemos apresentar reflexões e exemplos de intervenções político-acadêmicas que possam contribuir com a Licenciatura em Letras, bem como com outras licenciaturas e bacharelados. Espera também promover a divulgação e a discussão de estratégias e abordagens para o uso e o ensino mais eficazes da língua portuguesa e das línguas estrangeiras e suas respectivas literaturas; e enfim aproximar a comunidade dos conhecimentos científicos produzidos por sujeitos “que até então foram vistos como destituídos da condição de fala e da habilidade de produção de teorias e projetos políticos” (COSTA, GROSFOGUEL, 2016 p. 21).

 

Desejamos, a todas e todos, um excelente evento!

 

Profa. Dra. Ione Jovino

Coordenadora Geral